Estrutura

Um conjunto de sincronicidades e de circunstâncias conjunturais remetem-me nestes dias para um conceito que muitas vezes refiro, mas que agora, de forma consciente, me parece muito actual na vida de cada um de nós.

A palavra “estrutura”, de origem latina, remete para a ideia da edificação, mas também para a organização ou disposição dos elementos que compõem algo.

A estrutura requer tempo para ser criada. A estrutura requer foco e convida à introspeção. A estrutura requer muita paciência e uma dose generosa de humildade.

Lembro-me de, quando em miúdo, ouvir os crescidos falarem entre si sobre uma determinada instituição de ensino de qualidade como sendo aquela que dava mais “bases” aos alunos: “os filhos de sicrano andaram na escola X e têm imensas bases”. Lembro-me de, quando mais novo, ver anúncios de emprego em que alunos de determinadas Universidades eram automaticamente excluídos do processo de recrutamento…imagino que por falta de “bases”.

No desenvolvimento pessoal as “bases” são coerência e esta vive-se diariamente. A coerência é estrutura. É-se coerência. É-se estrutura… as “bases” são estrutura.

Chegarmos ao Self requer estrutura.

De que vale saber muito de um dado tema se não sou coerente? De que vale ser um sabichão, se não vivo e não sou nada do que cognitivamente aprendi?

“Ama-te e sê tu mesmo”. Isto defende o Human Design, que humildemente se afirma como um sistema mecânico de desenvolvimento pessoal e que encerra em si um conjunto de valores e princípios mais elevados que, quando seguidos, não nos dão escolha que não seja viver no caminho da Verdade dos Mestres.

Eu não me amo se não amar o outro. E não amo o outro se não me amar o suficiente. Esta é a base da Verdade do Human Design. Este é o alfa e o ómega da coerência da mestria.

“Querer é poder”, mas poder não é estrutura. O que estrutura o Ser não é querer ser coerente. Não é dizer que se é coerente, fazer tudo para parecer coerente e ser nada mais do que um teórico da espiritualidade, que à primeira oportunidade sucumbe à mundividência do pobre de espírito. Isso requer lealdade, que por sua vez pressupõe a existência da deslealdade. Para ser leal a algo ou alguém ou até a nós mesmos, deveremos apelar à coerência espiritual, entendendo que, à boa maneira Aristotélica, a ética é a súmula de condutas, atitudes e decisões de toda uma vida e que no limite é no fim da mesma que a poderemos avaliar. E nisto sou firme e pouco existencialista: quem abraça o Human Design e o vive, experimenta que é na consciência das pequenas acções que as maiores se revelarão acertadas e que a liberdade tem essa limitação moral. Sim, a moral existe em tudo.

E assim se honra o Human Design e o seu criador, que sempre defendeu a estrutura das coisas e de cada um, que sempre defendeu que a virtude e a eudaimonia vivem de mãos dadas com hierarquia e com saber viver no mundo dos homens sem o cinismo de Diógenes, que apesar de filosoficamente riquíssimo, mostrou ser muito pouco viável.

Sem rodeios, sem pruridos, sem salamaleques, sem palmadinhas nas costas de conveniência e acima de tudo com Verdade, saibamos assumir o nosso papel no mundo. Saibamos assumir a fidelidade ao conhecimento. Afinal de contas, o mais difícil foi feito. Agora é só seguir os ensinamentos.

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