A maravilhosa vida da mitocôndria

Neste começo de ano que tem sido frio, os dias já crescem mas ainda convidam ao recolhimento. Estava eu numa das minhas leituras de Domingo, estudando um organelo absolutamente fascinante que é um dos “chefes” do nosso corpo, quando várias sinapses me fizeram ter um daqueles momentos gratificantes em que sinto que poderei ter tido uma ideia. Não é que me sirva de muito, já que é só uma ideia, mas gosto de as ter porque me fazem sentir vivo e com pensamento divergente.

As mitocôndrias pesam 10% da nossa massa corporal e produzem uma quantidade de ATP diário equivalente ao nosso peso corporal. São uma central energética de uma eficiência absolutamente única. Se soubermos cuidar da nossa saúde, com bons hábitos de vida e uma alimentação pobre em açúcares e rica em fitonutrientes, vitaminas e minerais e com prática moderada de exercício físico, poderemos ter a esperança de viver mais anos com saúde e acima de tudo com muita energia.

Ocorreu-me durante este estudo feito numa tarde de final de ano à luz de um candeeiro eléctrico, ao som de uma aparelhagem eléctrica e no aconchego de uma casa aquecida com luz eléctrica, que se retrocedesse dois ou três séculos, dificilmente teria condições para o fazer e seguramente nunca com o conforto que nos possibilita fintar artificialmente a natureza e prolongar a nossa energia disponível para trabalhar durante muito mais tempo do que seria suposto.

Entendo e sei, por tudo o que observo, vivencio e leio, que vivemos num mundo vibracional e que essa vibração energética se manifesta em todas as coisas e leis universais da natureza. Isso faz com que gostemos de determinados locais mais do que de outros. Isso explica porque nos sentimos calmos com um tipo de música e com outro nos sintamos mais excitados.

Parece-me que, de todos os ambientes, aquele que mais se adequa a uma elevação do bem-estar e da nossa vibração energética é a natureza. Porque nos sentimos bem quando caminhamos na floresta? Porque nos sentimos completos quando mergulhamos no mar ou num rio totalmente selvagem? Porque é que o montanhismo é tão apreciado e considerado o gold standard do auto-conhecimento para quem o pratica?

Isso acontece porque a vibração da natureza é plena e sintoniza-nos naturalmente.

E é aqui que me pergunto se quando a única forma de transformar energia que conhecida era a conversão de matéria orgânica e de oxigénio em energia metabolicamente activa, não estaríamos nós muito mais perto da vibração mais elevada, por seguirmos, por falta de opção mais confortável, os ciclos naturais de produção energética.

Ora, quando algum cliente se queixa de cansaço em pleno Dezembro, parece-me que poderá ser perfeitamente razoável. O que não é razoável é o que geralmente causa o cansaço das pessoas nesta altura do ano. Senão, pensemos: durante toda a existência humana até há cento e poucos anos, o transformador de energia que existia era aquele que residia nos corpos de seres humanos e animais e era esta a força motriz de trabalho de então. Matéria orgânica era transformada e provinha primordialmente das plantas e do seu processo de fotossíntese. Quando as horas de sol diminuíam, havia menos matéria orgânica disponível e quando o sol raiava por mais tempo, tudo florescia e isso repercutia-se na potência de agir do ser humano e dos animais, não só pelo alimento disponível, mas também pelo benefício no ritmo circadiano que o maior número de horas de sol dos dias de verão nos traz.

Assim, no inverno tudo parava. Se não houvesse comida, havia mesmo que parar e baixar ao máximo o consumo energético.

A energia do sol sempre nos guiou e é normal que no inverno estejamos mais letárgicos e com maior vontade de acalmar a nossa produção, mas é nesta altura do ano que o trabalho mais aperta e que preparamos a silly season, altura em que paramos e tiramos as merecidas férias. Não seria de repensar este ritmo ou pelo menos prestar mais atenção ao descanso no inverno? Se todos baixamos a nossa vibração no inverno e isso impacta no estado de espírito geral, não seria de pelo menos readaptarmos os horários no inverno para termos mais produção laboral de qualidade neste período do ano?

Parece-me claro que se nos guiarmos pela natureza e pelos seus ciclos e tempos, iremos equilibrar-nos como seres e isso manifestar-se-á psicossomaticamente, traduzindo-se em maior vibração individual e colectiva.

Será interessante observar como a saúde pública evoluirá neste tempo de crescimento das economias emergentes. Parece-me claro que no ocidente já se nota um retornar às raízes, mais virado para o Self, para a alma, para o corpo e para o espírito como um todo. O caminho será muito longo, mas os dados estão lançados.

Já no oriente, a ocidentalização trará cada vez mais as doenças crónicas do final do século XX e início do século XXI, num ritmo directamente proporcional ao desmesurado crescimento das megalópoles, afastamento e menor respeito pela natureza.

Esta será a tendência e, como tudo, também a História se repete em ciclos. Aprender com esses ensinamentos sem ter de revisitar os erros passados é fundamental para a evolução da Humanidade como espécie. Se cada vez mais respeitarmos os ciclos da natureza, estaremos mais próximos de aprender com os nossos antepassados e sem dúvida seremos mais capazes de evoluir como espécie.