A Importância das Palavras

A busca pelas melhores formas de ajudar quem me procura é o meu propósito e sem ele não conseguiria evoluir como Ser e como profissional. É nas pequenas coisas e nos pormenores comportamentais que a grande mudança na vida das pessoas ocorre. Várias se destacam, mas vejo na linguagem verbal de quem me procura, uma chave-mestra para a transmutação.

Ao ver uma série sobre Donald J. Trump, reforcei a ideia da importância que as palavras, o discurso e a forma como comunicava tiveram para o fazer chegar a Presidente dos Estados Unidos da América. Num país onde o sucesso sempre se mediu pelo poderio financeiro de cada um (algo que infelizmente temos vindo a importar com resultados desastrosos em várias esferas), Donald J. Trump desde cedo percebeu que “à mulher de César não basta ser honesta, tem de parecer honesta”. O resultado desta conclusão foi a utilização em benefício próprio de um discurso ora truculento, ora aspiracional e megalómano. A utilização destas ferramentas fez passar para uma sociedade pobre em valores e princípios a ideia de que teriam à frente da nação mais poderosa o homem mais poderoso, aquele com quem ninguém se deve meter, numa visão binária e primitiva do tudo ou nada, do “com ferros matas, com ferros morres”. Trump soube tirar partido de um eleitorado primário, que viu em quem conseguiu ludibriar o sistema de diferentes formas, um possível messias que poderia vir a suprir a sua vontade de recompensa instantânea, tão habilmente aproveitada por quem se apresenta em eleições por esse mundo fora.

Exemplos bem mais positivos sobre a sábia utilização das palavras pode ser encontrada em vários exemplos da história da humanidade, destacando-se Gandhi ou Mandela como grandes mestres do século XX, neste contexto. E é deste lado que gosto de me posicionar. No lado do empoderamento pessoal em detrimento do medo que coloca quem o sente nas mãos dos “Trumps” deste mundo.

Assim, tenho vindo a reparar que existe uma ligação directa entre a linguagem utilizada e o estado de espírito, sentimentos, pensamentos e escolhas que a originam. E se esta manifestação verbal é o resultado desses pensamentos, sentimentos e escolhas, então poder-se-á perceber que se a linguagem verbal e até mesmo corporal não muda, é porque o que a origina se mantém inalterado.

A utilização das palavras correctas no momento certo é muito importante. Remete-nos de imediato para o poder de contenção e para o evitar da impulsividade e precipitação, tão comuns na sociedade actual. Esta precipitação, esta verborreia muitas vezes usada, seja para dizer mal da sua própria vida, seja para culpar os outros ou o Universo por aquilo que acontece de menos positivo é geralmente uma reafirmação negativa do Ego e do Ser velho, daquele que precisa ser reciclado.

Contermo-nos no palavreado, distinguir entre dizer a verdade no momento certo ou despejar no outro ódio com o pretexto de que se está a ser verdadeiro, pode ser o início para o despoletar da necessária desprogramação de anos e reconfiguração neuronal que até então era reafirmada pela linguagem que a legitimava.

A linguagem verbal é um carimbo ou assinatura daquilo que somos no momento e para a transformação celular ocorrer há que repetir processos e atitudes, há que estabelecer uma nova rede neuronal.

Quando a nossa linguagem muda e evolui de forma consistente, perdurando no tempo, é porque nós estamos a mudar, porque novas sensações e pensamentos geram novas palavras, frases e atitudes.

Somos o resultado das nossas decisões diárias. Todas as pequenas decisões são importantes para que, dia após dia, o propósito se cumpra. Isto não é nenhum devaneio new age nem nenhuma panaceia de livro de “auto-ajuda”. É o que o Human Design ensina e é neste contexto que o que comunicamos poderá ser fundamental para novas e acertadas decisões diárias.

Pedro de Sousa Botelho

Nunca soube como, mas sempre soube que iria trabalhar com e para as pessoas. Quando descobri o Human Design, senti que poderia ser a ferramenta para mudar o mundo. Sim, se não for para mudar o mundo nem vale a pena chamar-me…

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